quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Deixa-me Abraçar-te

Quando as nuvens negras vêm na tua direcção.
Quando os demónios não podem ser domados.
Quando as coisas parecem impossíveis e não sabes o caminho.
Quando os becos da cidade se fecham sobre ti e como que te oprimem.
Deixa-me retirar-te a dor, deixa-me sem qualquer palavra abraçar-te.
Deixa-me abraçar-te com Força.
Quando o amanhã não traz esperança e o céu não te traz boas novas.
Quando observas que o Sol não desponta e como que o coração quase não bate porque o peito o oprime.
Sabe que aqui estarei sem palavras a abraçar o teu corpo.
Tem a certeza que com o amor que desajeitadamente tenho por ti te aliviarei o bater do coração, porque o meu coração irá ensinar o ritmo da música ao teu.
Quando as sombras se apoderam da tua mente, eu serei a sombra que segue o teu corpo, puxando para mim aquelas que tiram o  brilho nos olhos.
Sou Como Orfeu que descerá ao submundo para te resgatar com o sorriso do amor, com o calor das minhas canções.
Deixa-me abraçar-te. Retirar-te-ei a dor mesmo sem as minhas palavras desajeitadas.
Vou retirar-te as correntes para que possas voar.
Dar-te-ei o meu fogo, das minhas cinzas renascerás minha Fénix.
Se o meu Suspiro. Se a minha vida te derem conforto.
Sabe que no derradeiro abraço te darei nova esperança, nova vida.
Porque apenas no desajeitado do meu ser sem me saber exprimir quero abraçar-te, retirar a dor. 
O Amor e Minha Vida te pertenceram sempre.
Sabe que mesmo sem me saber exprimir te elevarei aos céus.
Deixa-me Abraçar-te

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Caçador de Sonhos

Doce e Selvagem como num sonho vejo-a a dormir.
Sou o caçador da floresta de sonhos, lanço-me mais uma vez no ar à procura da presa perfeita.
Sei que por ela sou incessante e jamais deixo de vaguear a terra à procura da recompensa perfeita.
Revolvo o céu e a terra, transformo-me num selvagem predador.
Caço Sonhos, caço ideias de perfeição por que ao recordar um sorriso longínquo da sua boca, sinto o deleite a percorrer o corpo.
Sinto as chamas do meu coração a impelir-me para a frente caço freneticamente, sei que quando conseguir um bom sonho poderei finalmente descansar.
Repousarei no seu colo.
Se ao menos no meu desespero feroz e voraz por sonhos, conseguisse serenar.
Sou implacável na minha perseguição, destruo sonhos, sem pensar se sequer me servem.
Servi para mim próprio o absinto da dormência e deixei de sentir.
Tenho a adrenalina da caça, da procura incessante.
Ela esperou uma vida por mim.
Por mim, aquele que vagueou uma vida inteira à procura de sonhos, caçando uma esperança vã atrás da outra.
Só para agora e em prantos com as lágrimas a percorrer entender que com as feridas de outrora marcadas ainda no coração, que o sonho sempre foi Ela.
Ela era o sonho que eu perseguia e jamais teria de partir, para ter o sonho de um sonho perfeito.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Céu

Perdi-me nos meandros deste mundo.
Não tive de morrer para ir para o céu, apenas de voltar para casa.
Agradeço a Deus não me ter deixado afogar.
Silenciei os demónios das mil batalhas que travei, 
Reconquistei as sombras e movi-me por entre a penumbra, fui aquele que melhor se movia por entre a escuridão mais negra.
Abandonei a pretensão vã de suster o mundo num único inspirar.
Por entre a escuridão um vislumbre, um relance nos olhos que reconheci como meus,
Por entre vultos e a chuva torrencial de uma noite de noite carregada de electricidade em que soltei os meus mais terríveis monstros, consegui ter a visão da luz dos teus olhos verdes.
Agora que sei que és o meu lar e para ti retorno.
Sei que o céu é em casa, reconheço a luz, a cor e a serenidade inerente a uma alma e a um porto de abrigo.
Para trás ficou aquele empedernido predador que por entre sombras e escuridão era atraído por luzes de outras almas, procurando  a tua.
O som dos meus inimigos fazia-me sentir vivo, sentia o som da vida através do som do guerreiro da luz breve por entre os olhos daqueles que capturava por breves momentos.
sabendo que a minha casa estaria algures numa alma e num corpo pedaço de céu que inconscientemente procurava no caminho das trevas.
Sempre soube que caminhavas na luz, mas porque é que evitava a luz?
Agora que cheguei a casa e sei que os teus olhos são a quietude na qual o meu coração de lobo pode repousar.
Sei que Deus me usou como instrumento para fazer a Sua obra.
Quanto a mim e sem morrer cheguei ao céu que é o nosso lar.
A Espada, lancei-a ao mar, agora sei que o céu é o teu amor e por ele vivo.
Amor, cheguei a casa.

domingo, 8 de maio de 2016

 Heart in my hands


Love is more than just emotion.
Love is more than just devotion.
Just like all the stories in  the old books, love is about blood and honour.
How could you love me, when  I´m just a meere reflexion in eyes.
How could you love someone like me.
I´m  the wind blowing in your window.
Just a simple breeze in your chest.
I never thougt I could love you this way.
Walking in the street with my heart in my hands, like a foul, waiting 
to be able to deliver it to you.
Standing in the corner to have a glimpse of you walking by.
Thought I was the owner of the world, I,m not eve the owner of my own heart since I met you.
Pray to God, pray to my Godess for a litle love.
My heart is always in my hand waiting for you.
Could you love someone like me?
Because someone like me loves you like crazy.

Pedro Correia de Oliveira
08-05-2016

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Mundo Cruel

Quando a paixão é perdida e toda a confiança desapareceu à tanto tempo.
Só num mundo cruel e frio.
As crianças choram abandonadas e negligenciadas.
Por bem próprio animais deixados sem dono.
Só num mundo cruel e frio.
Abraça  o teu melhor amigo, olha-o nos olhos e depois observa-o a resignadamente ir embora.
Durante tanto, mas tanto tempo fizemos tudo errado.
Febre e tormenta dentro da tempestade, afasto-me.Vou-me embora
Fujo dos nomes, das lápides. da Selva de Pedra.
Cansei-me de sarar as feridas minhas e do mundo.
Que o mundo mantenha os espinhos, que mantenha as agruras. Eu fujo a toda a brida.
Fujo dos jogos, das decepções e das mentiras.
Das circunstancias de um mundo tão cruel e frio.
As chamas da consciencia e da alma recordam-me o dia no qual fui lançado neste tipo de mundo.
Nas engrenagens desta máquina destruidora transformei-me e fui culpado da mesma crueldade e frieza.
NÃO MAIS!!!
 A Febre permanece na tempestade. Viro as costas, cavalgo para longe no pégaso da minha imaginação.
E voo, Voo para tão longe.Porque é que sinto todos os outros como inimigos?
Não quero mais nada com as Trevas. Já tive demais.
Renego os demónios. Invoco os Deuses.
Viajo para a luz
Quero o Sol, Clamo pelo Sol.
Desisto deste tipo de sociedade, não vivo os jogos, Não sou Peão.
Não me reduzo à condição de Escravo.
Do material, da solidão confortável, só porque é social.
Renego a mágoa, a mentira, o ultrapassar a moral.
Trago para mim o acreditar solene. 
Quero a Luz, A simplicidade, o minimo.
Não vou nunca deixar deixar de ser eu, afirmar que o que sou é-o por desejo e não ter medo de afirmar este sou EU.
O verdadeiro sem imagens distorcidas por espelhos sociais, 
Sem medo, sem dor.
Preciso de encontrar um canto mais escuro onde tudo seja mais calmo e seguro.
Continuo a voar, a virar as costas.
Não sou mais o autómato que vagueou por este mundo tão cruel.
No fogo da minha alma, renego as criaturas negras que me prendem o coração.
Solto as grilhetas e deixo de ser o Sub-produto deste Mundo Frio e Cruel.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Liberdade de um Sonho

Deitado e acordado sonho o sonho do Homem pobre.
Sonho com a liberdade que este permite.
Deixas de ter grilhetas, deixas de ser a nuvem no meu pensamento.
Solta-te, és livre, escolhe, ninguém tem o direito de te ter presa.
O teu coraçāo é livre, mas nāo o podes dar, porque com ele vem o teu corpo, a tua alma, e essa tem correntes pesadas.
És a tua carcereira, prendeste-te por quimeras e agora abandonaste o teu ser a alguém, à perfidia da necessidade.
Escravizaste o teu corpo, a tua alma em torno da responsabilidade ficticia.
Queres deixar as grilhetas, tens a chave na māo.
Na tua prisāo, encareceraste-me a mim, quero partir, mas o meu coraçāo tem uma corrente ligada ao teu.
Posso quebrá-la tāo facilmente mas o meu amor nāo deixa.
Liberta-te, deixa-me sonhar com com o por do sol ao teu lado ao longo de um tempo infinito.
Deixa-me viver o Sonho do Homem pobre, o Amor incondicional a alguém partilha comigo a verdade mais preciosa, a Liberdade.
Assim ambos teriamos como unicas posses a Liberdade e o Amor.
Riqueza maior, seria impossivel.
Se ao menos dissesses ao teu carcereiro que pretendias ser Livre.
Usa a Chave, concede-me o Sonho.
Mas se nāo o quiseres, ao menos corta a minha corrente, faz-me livre.
Com o coraçāo moribundo, mas ao menos livre para voltar a amar.
Nenhuma mulher deveria de estar acorrentada, presa, amordaçada e muito menos dormente.
O Poder é teu, se um dia ao menos sonhasses como eu.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Como se perde uma inocência (Crónica de um Combatente da ll Guerra Mundial)

Ontem, apaguei vinte velas do meu bolo de aniversário, no entanto sinto-me como se tivesse vivido uma vida inteira.
Chamam-me de velhinho, o que é normal depois de ter sobrevivido a mais de quatrocentas missões, e até porque a média de sobrevivência por aqui é de duas semanas.
Os aliados têm novos aviões com melhor desempenho e inundam agora os nossos céus, quase não dando espaço de manobra e quase não se consegue levantar voo. Frequentemente levanto voo de estradas secundárias. Fazemos o que podemos.
Ainda me recordo dos meus últimos dias de Oberstufe (liceu) em Dresden, tinha então dezassete anos, e foi quando a guerra estalou.
Filho de um antigo oficial do exército e que perdeu um dos seus olhos na Flandres, com heróis como Von Richtoffen decidi que estava na hora de cumprir o meu dever com a Pátria e alistei-me na Luftwaffe, ignorando que o cavalheirismo do combate aéreo dos primórdios daria lugar a uma brutal carnificina.
Presentemente creio que a minha dívida para com o meu país está mais do que saldada, com o meu sangue, com as minhas lágrimas e com a perda total da minha juventude e inocência de criança.
Em três anos de guerra sou agora um veterano e às. Tenho um recorde de abate de cento e trinta e sete "mortes" confirmadas, obviamente não contamos as prováveis. O que não é de surpreender, até porque, todos os dias faço de uma a três missões.
Tenho um dia de folga por semana, ao contrário dos Americanos que voam duas a três vezes por semana.
Não é de admirar que alguns de nós tenhamos centenas de vitórias enquanto um às Americano tenha no máximo quarenta a cinquenta vitórias.
Tornei-me empedernido e implacável, não porque tenha prazer em abater ou matar alguém, mas porque se abater os suficientes talvez deixem de continuar a vir e assim acabe esta maldita guerra.
O convívio diário com a morte não nos deixa ter muitos planos pois não?
Cada vez que fecho o canapé sobre a carlinga como se de uma tampa se tratasse, assemelha-se à tampa do meu próprio caixão.
Sei que a todo o momento a missão actual pode muito bem ser a última.
Desafio a morte a todo o momento.
Porque é que eles são cada vez mais? Porque é que não param de vir? Já não mandámos os suficientes para o Inferno?
Em três anos de combate apenas tive três meses e meio parado devido a ter o crânio aberto por um projéctil de um B 25 Mitchell que abati.
Ainda hoje estou a para conseguir entender como sobrevivi e como consegui chegar à base.
Engraçado que apesar das dores e tormentos que passei, apreciei a paz.
Agora percebo que aqueles que se auto-infligiam ferimentos preferiam a dor ao processo de carnificina da frente.
Para mim, com dezanove anos a morte ou a invalidez não eram uma opção.
O misto de sentimentos contraditórios na minha mente era e é explosivo. aprecio a paz e tranquilidade de um hospital de campanha e imagino como seria viver essa paz e tranquilidade num mundo pacífico, mas ao mesmo tempo anseio pelo combate, pela adrenalina de poder morrer, mas acima de tudo pela ideia do abate, da vitória. Missão cumprida.
Não me recordo dos meus anos de adolescência, acho que não os tive verdadeiramente, sinto que da minha infância ao cockpit do meu 109 não demorou nada.
Ontem estava a brincar com o meu carrinho de bombeiros de lata que os meus pais compraram com imenso sacrifício em Berlim e hoje estou a incendiar bombardeiros com das mais letais máquinas de guerra.
Se sobreviver a esta carnificina, quem me devolverá os meus anos de juventude?
O que farei, se só sei voar e matar?
Poderei ser jovial novamente?
Afinal, quando esta guerra acabar não voltará tudo ao normal?
Dos meus amigos de infância já perdi quase todos, uns em combate.outros devido às bombas aliadas porque nós falhámos e conseguimos abater os bombardeiros em número suficiente de forma a impedi-los de bombardearem as nossas cidades e matarem os nossos civis,
A minha pergunta é porque é que se substitui um brinquedo por um instrumento de morte? Porque é que os Homens obrigam outros a matar e morrer?
Sou um adolescente físico com uma vida de sessenta anos.
Odeio esta guerra, odeio as mortes, odeio a carnificina que não tem qualquer sentido.
Perco a minha vida por ideais politico, morais e económicos que não defendo.
Quero ser inocente outra vez, não quero sentir que às minhas mãos já tanto adolescente deixou de ser filho de alguém.
Hoje ao fechar novamente a  tampa do meu caixão para uma nova missão apercebo-me que abomino toda esta guerra.
Sei que não sei fazer mas nada senão isto, parece que me fizeram nascer assim. Um monstro frio que me nome da Pátria tiro a vida a alguém.
Feliz aniversário para mim, que por fazer o que faço mesmo abominando, perdi a minha inocência.