quinta-feira, 14 de maio de 2020

Céu

Perdi-me nos meandros deste mundo.
Não tive de morrer para ir para o céu, apenas de voltar para casa.
Agradeço a Deus não me ter deixado afogar.
Silenciei os demónios das mil batalhas que travei, 
Reconquistei as sombras e movi-me por entre a penumbra, fui aquele que melhor se movia por entre a escuridão mais negra.
Abandonei a pretensão vã de suster o mundo num único inspirar.
Por entre a escuridão um vislumbre, um relance nos olhos que reconheci como meus,
Por entre vultos e a chuva torrencial de uma noite de noite carregada de electricidade em que soltei os meus mais terríveis monstros, consegui ter a visão da luz dos teus olhos verdes.
Agora que sei que és o meu lar e para ti retorno.
Sei que o céu é em casa, reconheço a luz, a cor e a serenidade inerente a uma alma e a um porto de abrigo.
Para trás ficou aquele empedernido predador que por entre sombras e escuridão era atraído por luzes de outras almas, procurando  a tua.
O som dos meus inimigos fazia-me sentir vivo, sentia o som da vida através do som do guerreiro da luz breve por entre os olhos daqueles que capturava por breves momentos.
sabendo que a minha casa estaria algures numa alma e num corpo pedaço de céu que inconscientemente procurava no caminho das trevas.
Sempre soube que caminhavas na luz, mas porque é que evitava a luz?
Agora que cheguei a casa e sei que os teus olhos são a quietude na qual o meu coração de lobo pode repousar.
Sei que Deus me usou como instrumento para fazer a Sua obra.
Quanto a mim e sem morrer cheguei ao céu que é o nosso lar.
A Espada, lancei-a ao mar, agora sei que o céu é o teu amor e por ele vivo.
Amor, cheguei a casa.

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