sábado, 17 de maio de 2025

Beijas-me quando eu chegar?

Ninguém morre de um coração partido, pode muito curar-te e recuperar.

Passo a minha a voar e aterro em Lisboa e quando observo as luzes da cidade do ar o cheiro da nostalgia impregna -me as narinas, os cheiros conhecidos invadem-me a memória.

Optei por ser o cavaleiro itinerante que tantas vezes fechou o coração por estar sempre em contacto com a dor. 

Sempre voei para longe com os teus olhos na memória da minha pele, com o sabor dos teus lábios na minha boca, e na verdade sempre voei para longe de ti porque o meu coração sangrava sem saber bem porquê.

Agora que vejo as luzes de aterragem sinto o coração a apertar, será que vais estar quando finalmente chego?

Quando estiver a sair será que vais a correr para mim e resgatar-me? 

Durante tanto tempo coloquei à minha volta uma verdadeira muralha e fiz guerra de trincheiras sem que ninguém pudessse penetrar.

Ninguém morre de um coração partido, mas recuperar e fazer um pacto de amor com outro ser é doloroso.

Sempre que viajo em direção a outro destino sabendo que te deixo para trás é como que um aperto,um nó na garganta mas que sempre imaginava mais confortável do que destruir as minhas ameias ou baixar a ponte levadiça do meu castelo.

Mas tu sempre estiveste sempre aí e após a minha ausência percebi que o meu coração deixou de sangrar há muito tempo.

Agora que o solo está mais perto e o teu corpo mais perto do meu, apenas te quero perguntar.

Beijas-me agora que eu cheguei e vim para ficar?


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