Nos teus braços me abandono, em cada recanto a minha alma se dilui na tua.
Intoxicado pelas ideias humanas de que sou senhor de ti à muito entendi que é de ti que venho.
Vivo no teu seio mãe e senhora da minha existência.
Em cada golfada de ar sei que apenas a ti o devo.
Nos oceanos por onde vagueia o meu pensamento abraço a minha pequenez.
Até o sorriso de uma criança de ti advém.
O fogo que tanto canto em cada texto, tem origem nas tuas entranhas.
Maltratada pelos teus filhos que apenas vêem em ti interesses económicos, mesmo assim abraças e acolhes a humanidade.
As tuas lágrimas por florestas destruídas são continuamente desprezadas.
O verde da tua alma é do mais maravilhoso que nos acompanha.
És o espírito que nos une.
Dás guarida a uma raça destruidora dos teus mais queridos filhos.
Ninguém espera a tua vingança cruel, embora todos saibamos da sua inevitabilidade.
Raça desdita que sabe que caminha a passos largos para a destruição e mesmo assim persiste em te ferir.
Mãe que choras por mim e por todos nós, ergo a minha voz para te fazer jus e pedir perdão pelas ofensas por nós cometidas, uns por pura ignorância das consequências, outros pelo comodismo ligado ao progresso.
O progresso, aquele palavrão que na realidade significa o abandono do elo contigo e o caminho da destruição.
Destroem-se culturas, civilizações, espécies, e tu, mãe, continuas a sangrar em abundância.
Para quando o retorno às origens?
Quando deixaremos de ter dentro de nós o gérmen da nossa própria destruição?
Como é possível um ser que se afirma tão inteligente ser capaz de tamanho acto de ignorância?
Sou teu filho e em cada ser que criaste encontro a perfeição.
Deusa, Mãe, Terra.
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