Atiro uma moeda para o poço dos
desejos e rezo por tudo aquilo que sinto falta.
Com os pés nus sobre um espelho
partido, a dor sobe ao coração e apodera-se da mente.
Rezo para que os retalhos da vida se
reúnam ao corpo e aliviem o sentimento de perda do que sempre fui.
A identidade perdura na penumbra à
espera do mero toque de consciência que concerte o espelho retraçado sobre o
qual me encontro.
A alma projeta-se no imenso vazio e
clama pelo seu pequeno espaço acolhedor.
Anseio por uma solução enigmática,
um elixir descoberto por um exímio alquimista que desentorpeça o corpo inerte
pela dor.
Se ao menos os vidros não
penetrassem tão profundamente na carne.
Grito surdamente ao Oráculo de
tempos perdidos, para que me revele o propósito existencial mais ínfimo.
Inerte, preso num momento, procuro
alcançar a chama da consciência do que sou no presente.
Rezo pela liberdade pelo pleno
conhecimento do que sou e sempre fui.
Os pedaços de espelho são momentos
que fazem parte de um imenso puzzle que revelam o mais íntimo do meu ser.
Arranco cada pedaço da carne e agora
caminho vacilante rumo ao futuro juntando peça a peça e aprendendo com cada
imagem refletida.
Cada imagem de mim, errada ou não,
distorcida ou nítida é um pedaço que pretendo tornar completo e fazer de um
retalho um espelho completo que mostre todo o esplendor de uma vida.
Porque sempre no caminho da vida
quantos de nós não são forçados a quebrar os seus próprios reflexos e a partir
de pequenos momentos e da dor da reconstrução verificam que afinal respirar
cada momento vale a pena?
Amar a vida e cada reflexo próprio, cada toque sublime de
consciência é Divino.
Pedro Jorge Correia de Oliveira
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